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AS LIÇÕES QUE DEVEM FICAR ... 05 de Dezembro de 2016
Categorias: Gestão Pública.
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            Nosso país foi abalado, na semana passada, com o acidente de graves proporções que vitimou a aeronave que levava a equipe da Chapecoense, seus dirigentes e membros da imprensa esportiva brasileira, para o jogo que decidiria a Copa Sulamericana. Falei em acidente e falei mal. Acidente, no dizer da Wikipedia, é “um evento inesperado”. Positivamente, não foi o que aconteceu. Tivemos um desastre gigantesco, absolutamente previsível e que tendia a ocorrer, nesse voo ou em outro que a mesma tripulação viesse a realizar no futuro.
 
            Pelos detalhes agora divulgados, ficamos sabendo que a tripulação daquele voo resolveu, de forma absolutamente consciente, colocar em risco a própria vida e a daqueles que tinham a tarefa de transportar até a Colômbia. Atitude inadmissível, quase que um misto de suicídio com homicídio, injustificável para pessoas experientes e que sabiam perfeitamente o risco que estavam correndo. O que levou aqueles homens a um gesto como esse?
 
            Ficamos sabendo que essa mesma tripulação já realizara a mesma ousadia em outros voos realizados com a mesma aeronave. Em lugar de seguir as regras aeronáuticas e iniciar o voo com reserva de combustível suficiente para chegar ao local de destino ou, caso necessário, a um aeroporto de contingência, levando, ainda, abastecimento suficiente para mais meia hora de voo, a tripulação preferiu partir com a quantidade estritamente suficiente para o voo programado, sem qualquer alternativa no caso de uma surpresa.
 
            Inadmissível tal atitude partindo de pessoas experientes, que bem sabiam do risco que iriam correr. Mas, o fizeram. E, sem dúvida, foram levados a esse comportamento em função de já terem realizado outros voos em idêntica condição, sem a reserva indispensável de combustível, e não terem enfrentado qualquer problema. Se deu certo uma vez, porque não repetir o procedimento, deve ter sido o pensamento que predominou.
 
            É muito comum o ser humano não saber distinguir adequadamente aquilo que “não deu errado” daquilo que “deu certo”. No caso dessa tripulação, nas outras ocasiões em que agiram de forma absolutamente imprudente, o resultado NÃO DEU ERRADO. Alguém lá em cima estava de plantão e resolveu dar uma nova chance aqueles que estavam errando de forma bisonha.
 
            O entendimento, no entanto, parece ter sido ouro. Em lugar de entenderem que não havia dado errado por uma circunstância favorável qualquer, concluíram que o procedimento errado TINHA DADO CERTO. E, agiram como, infelizmente, age muitas vezes o ser humano diante de situação semelhante: SE DEU CERTO UMA VEZ, PORQUE NÃO REPETIR? Repetiram, repetiram e repetiram ... até que, em um dado momento, diante de um evento inesperado, a coisa não deu certo. Aconteceu o desastre que vitimou tantas pessoas que não tinham tido a opção de se manifestar sobre essa situação de risco.
 
            Quantas vezes, nos cursos que ministro por todo o país, ouço de servidores públicos, diante do registro de alguma impropriedade cometida, afirmações do tipo: [1]“Mas, professor, eu já fiz e deu certo”. Como quem está me passando um recado: VOU CONTINUAR FAZENDO, APESAR DE SUAS OBSERVAÇÕES.
 
            A situação é rigorosamente a mesma. A administração pública comete impropriedades, ilegalidades, até, e, como os servidores não foram contestados naquele momento, tendem a repetir o procedimento inadequado. E vão repetindo, repetindo ... até que, um dia, a casa cai. E aí surgem as lamentações: sou dedicado, me esforço, sempre fiz assim e só agora estou sendo obrigado a responder perante o órgão de controle.
 
            Repito, sempre, uma afirmação que me parece prudente: o ser humano, dotado de inteligência, não foi feito para ficar simplesmente repetindo procedimentos QUE NÃO DERAM ERRADO. Vejam que, ao contrário do pensamento de alguns, não é que TENHA DADO CERTO; é que, naquele momento, por alguma circunstância favorável, NÃO DEU ERRADO. Mas, se está errado o procedimento, esse erro vai aparecer em algum momento, gerando um desastre.
 
            “Eu sempre fiz assim” é uma afirmação que pessoalmente não consigo aceitar. Tudo bem, você fez assim e não deu errado. Mas, diante de um alerta de que esse não é o caminho, mude e passe a fazer certo. Errar uma vez, dizem que é humano; ficar repetindo o mesmo erro, é falta de inteligência.
 
            Que o desastre, absolutamente previsível, com a aeronave que conduzia a equipe da Chapecoense sirva, no mínimo, como uma grande lição para todos. Para aqueles que trabalham na administração pública, participando de processos de contratação, a grande lição que fica é que, se nada deu errado no processo anterior, não significa que o procedimento tenha sido o adequado e deva ser repetido no próximo. É indispensável, diante do alerta de algum erro, que esse erro seja escoimado, não seja repetido no futuro. A repetição do erro, é inevitável, vai levar a um desastre, em algum momento. É a Lei de Murphy, que nunca falha.
 
            Que todos saibam distinguir a diferença: se NÃO DEU ERRADO, não significa que, na próxima vez, também não vai dar errado, pois existe alguma coisa a ser consertada. Que se faça, sempre, uma revisão nos procedimentos, para que os riscos sejam eliminados e para que algo tão previsível não se converta em um desastre.


[1] O autor é advogado e engenheiro civil, com mais de 48 anos de experiência na administração pública, ministrando cursos sobre licitações e contratos administrativos.
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